quarta-feira, 26 de março de 2014

Show da Ná Ozzetti "Embalar" no Sesc Santana

"Mais uma vez estive presente no show desta maravilhosa artista "Ná Ozzetti" com seu 10º disco, sobretudo pela belas letras, arranjos e melodias. Além da sua voz, ela ganha o público pela sua arte cênica. Se Itamar Assunpção (este conhecido como 'maldito' porque sabia tocar o coração com suas letras e voz. A mim ele toca até hoje). estivesse aqui, não ficaria fora deste disco. Mas ele deve ter dado aquele sorriso lindo, lá das alturas, quando ela entrou em cena". Belíssimos os vídeos apresentados no palco". (Jean Carlo) 
 
É o segredo das canções: o casamento perfeito entre melodia e letra - Ná Ozzetti, cantora (Circus/divulgação)
 
“Um brinde às minhas amizades musicais”. Assim a cantora Ná Ozzetti define 'Embalar', o 10º disco solo de carreira, depois da passagem pelo grupo Rumo, que marcou profundamente sua trajetória. Adepta assumida da canção, que explora como poucas intérpretes, Ná convidou artistas de várias gerações para participar do novo CD.

O repertório reúne de Tulipa Ruiz, com quem ela compôs 'Pra começo de conversa', a Luiz Tatit, parceiro mais antigo e constante (a dupla assina 'Miolo'), passando pela estreia da dobradinha Kiko Dinucci e Jonathan Silva (autores da divertida e comovente 'Lizete', que “endoideceu de amor ao se envolver com a Rebeca”), além da amiga Monica Salmaso – as duas dividem a interpretação de 'Minha voz', da mineira Déa Trancoso.

Ná Ozzetti se supera mais uma vez. Com repertório a cada dia mais próximo das camadas populares, mas sem abrir mão da qualidade, ela confessa: “Sou uma intérprete de canções”. Mas a paulista cultiva também sua veia autoral. Conta que, ao criar melodias, acaba convocando parceiros para letrá-las. “Geralmente, faço primeiro a música e envio para eles”, revela.

Com Alice Ruiz, porém, ocorreu o contrário: Ná acaba de musicar Olhos de Camões a partir de um “poemontagem” da poeta sobre versos do autor português. “É um processo bem natural. Gosto de elaborar melodias”, explica. Muitas vezes, a cantora-compositora parte de um ritmo para chegar ao resultado desejado. No caso das parcerias, prefere deixar que o companheiro sinta a música para escolher o tema das letras.

CASAMENTO Na hora de escolher o que cantar, entra o gosto da intérprete, marcado por opções pessoais. “É o segredo das canções: o casamento perfeito entre melodia e letra”, afirma Ná. Para ela, a canção deve ser interessante e provocativa, assim como a melodia. “Tem de mexer comigo, dar vontade de criar a interpretação”, explica.
 
Depois de Meu quintal e Balangandãs, este dedicado ao repertório de Carmen Miranda, Embalar é o terceiro CD da cantora com a banda base formada por Mário Manga (guitarras e violoncelos), o irmão, Dante Ozzetti (violões), Sérgio Reze (bateria e gongos melódicos) e Zé Alexandre Carvalho (contrabaixo).

Para brindar com os amigos, ela recebeu a cantora Monica Salmaso (Minha voz), Ivan Vilela (viola caipira em As estações e Olhos de Camões), Juçara Marçal (voz em Musa da música), Kiko Dinucci (voz e guitarras em Lizete), Marcelo Pretto (voz em Olhos de Camões), Mariana Furquim (voz em Musa da música) e Uirá Ozzetti (violino em A lente do homem, As estações, Nem oi e Olhos de Camões).
  Repertório
Embalar Dante Ozzetti e Luiz Tatit; Musa da música; Dante Ozzetti e Luiz Tatit; A lente do homem Manu Lafer; Minha voz Déa Trancoso; Miolo Ná Ozzetti e Luiz Tatit; Lizete Kiko Dinucci; e Jonathan Silva; Nem oi Dante Ozzetti e Makely Ka; Olhos de Camões Ná Ozzetti, Alice Ruiz e Luis de Camões; As estações Dante Ozzetti e Luiz Tatit;Os enfeites de cunhã Ná Ozzetti e Joãzinho  Gomes;  Pra começo de conversa Ná Ozzetti e Tulipa Ruiz

 EMBALAR

De Ná Ozzetti
A íntegra do CD está disponibilizada para download gratuito no site www.naozzetti.com.
 
 

Livro "Tudo que tenho levo comigo" autora Herta Muller

"Como não se envolver com essa narrativa, que considero a riqueza de estilo poético presente nesta obra - 'Tudo que tenho levo comigo', sobretudo quando Muller se refere ao ANJO DA FOME presente nos corpos, nas mentes dos prisioneiros e a cada lugar do campo de concentração. Sua presença está nas ferramentas, no solo, nas paredes, no ar, na chuva, nos utensílios de comer, nas vestes etc. ANJO que definha diariamente os prisioneiros (sonhos, desejos, paixões, afetos, sobretudo o alcance da possibilidade da liberdade). Quando se alcança a liberdade, jamais será a mesma que fora estabelecida antes do aprisionamento. Não se apaga jamais a imagem do ANJO. Este é o avesso daqueles que anjos que estamos acostumados ver nas pinturas renascentistas.  O ANJO DA FOME se apresenta com garras enormes, de um olho só , cicatriz enorme numa das face do rosto, trajes preto e sem alma". (Jean Carlo)




Fim da guerra, 1945. Para a minoria alemã na Romênia é o início de um período de horror e silêncio. Nos cinco anos seguintes, por volta de 30 mil saxões residentes na Transilvânia foram deportados para campos de trabalhos forçados. Segundo Stálin, os povos de origem alemã deveriam pagar pelos crimes da guerra e trabalhar na reconstrução da União Soviética. Os campos caracterizaram-se por condições desumanas e insalubres, e os ex-internos preferiram esquecer o que aconteceu ali.
Parte dessa minoria alemã, Herta Müller tomou o relato de um amigo, o poeta Oscar Pastior, como base para este romance sobre a dura experiência nos campos. O projeto que deveria ser realizado a quatro mãos foi interrompido com a morte de Pastior, e Müller o assumiu sozinha. O resultado é essa narrativa dolorosa, construída com uma escrita altamente poética, seca e pungente.
Trata-se da história de Leo Auberg, um jovem de dezessete anos, gay, que é internado num campo soviético. Ali ele convive com a fome, trabalhos forçados, doenças, solidão e morte. Cinco anos depois, Leo volta para casa, mas percebe que tal retorno é impossível.

domingo, 15 de dezembro de 2013

Belíssimo Filme "Trem Noturno Para Lisboa"

Existem os filmes em que a história nasce das imagens e aqueles em que tema e relato são tão nobres que elas se tornam ilustrações de algo maior. A este tipo pertence "Trem Noturno para Lisboa".

O filme, dirigido pelo dinamarquês Bille August, carrega o peso das produções europeias de prestígio: é baseado num romance estimado do francês Pascal Mercier, tem no elenco as presenças veneráveis de Jeremy Irons e Charlotte Rampling e narra o episódio histórico da Revolução dos Cravos, em Portugal, em 1974.

Irons interpreta um velho e solitário professor que se encanta por um livro raro. Ao buscar os passos perdidos de seu autor, descobre um mundo marcado por heroísmos e traições, em que a paixão amorosa não se distingue do fervor político.

O ator Jeremy Irons (dir.) em cena do filme 'Trem Noturno para Lisboa

Ao acumular os papéis de leitor apaixonado e de narrador, o professor projeta na tela as experiências de descoberta que potencialmente a literatura oferece.

A matriz literária de "Trem Noturno para Lisboa", no entanto, é o que mais impede o filme de alçar voo. A devoção dos personagens ao livresco atrapalha sua encarnação na forma palpável das imagens e dos diálogos. E tudo fica aprisionado como numa vetusta biblioteca cujos volumes são tão admiráveis que evitamos tocá-los.

O que se vê em cena é fruto mais do trabalho bem cuidado de roteiristas, um material lapidado que nunca deixa de ser somente texto. Mesmo quando o filme busca enfocar o processo histórico do fim da ditadura de Salazar, o efeito é sempre o da leitura aplicada, bem-feita, porém sem brilho e, pior, sem vida. (Crítico da F.S. Paulo - Cássio Sterling Carlos)

Show da cantora Simone Bittencourt de Oliveira - Essa eu não perdi.

Ao lado de cinco instrumentistas, a cantora baiana sobe ao palco para celebrar os quarenta anos de carreira e o lançamento do disco É Melhor Ser. Com direção da atriz Christiane Torloni, a performance lista Mulher o Suficiente e Aquele Plano para Me Esquecer. Dias 8 e 9/11/2013.Teatro do Complexo Cultural Ohtake - São Paulo 
A baiana joga no mercado seu novo disco, “É Melhor Ser” (Biscoito Fino), produzido por Bia Paes Leme e arranjado pelo pianista Leandro Braga, com repertório baseado em canções que têm mulheres como compositoras, a maioria regravações – num universo de 13 faixas, apenas 3 são inéditas. Desta fornada de inéditas, a melhor é a feita em parceria com Zélia Duncan “Só Se For“, elegante bolero calcado em piano e leve percussão. Piano, aliás, que domina a tocada do disco, quase sempre para o bem. A ótima regravação de “Descaminhos” (Joana / Sarah Benchimol), música que projetou nacionalmente a cantora Joana, em 1979, é outro acerto na escolha do repertório. Seguem o mesmo caminho de graça, a americanizada leitura de “Charme do Mundo” (Marina Lima / Antonio Cícero), “Vida de Artista“, canção de Sueli Costa e Abel Silva e a pulsante interpretação de “Mulher o Suficiente” (Alzira Espíndola / Vera Lúcia Motta), verdadeira recriação de um tema do repertório de Tetê Espíndola.
No mais, “É Melhor Ser” soa morno, deixando aquela impressão que conter pouca novidade, em que pese a ótima forma vocal de Simone, que continua cantando lindamente ao completar 40 anos de carreira. Faltou uma dose extra de pimenta no tempero da baiana.

Obs.: Não tem como conter as lágrimas ao ouvir "Cigarra" a cada show dessa intérprete maravilhosa.

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A cantora Simone

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Festejando o lançamento do livro do amigo Deputado Carlos Giannazi

A tarde foi muito festiva na Editora Cortez, no dia 19 de outubro, no lançamento do livro "A doutrina de segurança nacional e o "milagre econômico" (1969\1973)", do grande amigo e companheiro de muitas lutas, Carlos Giannazi. Além de poder conhecer seu pais. Pude encontrar outros colegas, sobretudo o meu querido amigo e escritor Edson Gabriel Garcia.
 
Sinopse: O fenômeno econômico chamado milagre não foi acompanhado de melhorias sociais, sob a forma de salários elevados e de serviços públicos de atendimento ao trabalhador, num nível satisfatório, que permitissem um desafogo para a população brasileira. Essa parcimônia salarial não era gratuita. A chave da cúpula de tal projeto era, exatamente, a rígida compreensão salarial, principal elemento de acumulação capitalista e fator essencial para a efetiva mobilização do empresariado nacional, e principalmente para atração maciça do capital internacional. Tal situação de arrocho somente poderia ocorrer se essa retaguarda, pela severa repressão policial militar. Por isso, o autoritarismo governamental era um elemento indispensável para que se desse o pleno funcionamento do modelo em questão.
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domingo, 6 de outubro de 2013

Patrícia Melo - Cenas Cotidianas

Patrícia Melo foi considerada pela TIME MAGAZINE um dos 50 líderes latino-americanos do milênio, sua obra foi traduzida para mais dez idiomas. Em 1995, a escritora, dramaturga e roteirista conquistou seu lugar na moderna literatura brasileira com a publicação de O MATADOR,  seu segundo livro e um dos melhores romances publicados no Brasil na década em questão.

Por que Patrícia tem tanto interesse em "literar" temas de violência" Segundo ela, "estruturalmente, tem a ver com a necessidade de entender, resistir ou combater, no âmbito pessoal e coletivo, o que está acontecendo. Estamos tentando compreender essas questões que lidam com a violência, com a morte. Acredito que o  interesse por essa temática é uma tentativa de ter um olhar crítico e de vivenciar de forma visceral a experiência, que é tão comum".

Que livros que indico a ler, além de O Matador:


O Matador 1995    Acqua Tuffana   Elogio da Mentira   Valsa Negra         Jonas, o Cropomantra 2008
                               1994                   1998                         2003

 
                                           Inferno                              
Ladrão de Cadáveres 2010                             Inferno - Ganhador do Prêmio Jabuti - 2003



O escritor Carlos Ruiz Záfon cada vez mais me surpreende "Palácio da Meia-Noite"

"PALÁCIO DA MEIA-NOITE - Carlos Ruiz Zafón

Sinopse: Ben e Sheere são irmãos gêmeos cujos caminhos se separaram logo após o nascimento: ele passou a infância num orfanato, enquanto ela seguiu uma vida errante junto à avó, Aryami Bosé. Os dois se reencontram quando estão prestes a completar 16 anos. Junto com o grupo Chowbar Society, formado por Ben e outros seis órfãos e que se reúnem no Palácio da Meia-Noite, Ben e Sheere embarcam numa arriscada investigação para solucionar o mistério de sua trágica história. Uma idosa lhes fala do passado: um terrível acidente numa estação ferroviária, um pássaro de fogo e a maldição que ameaça destruí-los. Os meninos acabam chegando até as ruínas da velha estação ferroviária de Jheeter’s Gate, onde enfrentam o temível pássaro. Cada um deles será marcado pela maior aventura de sua vida. Publicado originalmente em 1994, O Palácio da Meia-Noite – segundo romance do fenômeno espanhol Carlos Ruiz Zafón – traz uma narrativa repleta de fantasia e mistério sobre coragem e amizade. 

 
O Palácio da Meia-Noite - Trilogia da Névoa - vol. 2 - Carlos Ruiz Zafón