quarta-feira, 26 de março de 2014

Livro "Tudo que tenho levo comigo" autora Herta Muller

"Como não se envolver com essa narrativa, que considero a riqueza de estilo poético presente nesta obra - 'Tudo que tenho levo comigo', sobretudo quando Muller se refere ao ANJO DA FOME presente nos corpos, nas mentes dos prisioneiros e a cada lugar do campo de concentração. Sua presença está nas ferramentas, no solo, nas paredes, no ar, na chuva, nos utensílios de comer, nas vestes etc. ANJO que definha diariamente os prisioneiros (sonhos, desejos, paixões, afetos, sobretudo o alcance da possibilidade da liberdade). Quando se alcança a liberdade, jamais será a mesma que fora estabelecida antes do aprisionamento. Não se apaga jamais a imagem do ANJO. Este é o avesso daqueles que anjos que estamos acostumados ver nas pinturas renascentistas.  O ANJO DA FOME se apresenta com garras enormes, de um olho só , cicatriz enorme numa das face do rosto, trajes preto e sem alma". (Jean Carlo)




Fim da guerra, 1945. Para a minoria alemã na Romênia é o início de um período de horror e silêncio. Nos cinco anos seguintes, por volta de 30 mil saxões residentes na Transilvânia foram deportados para campos de trabalhos forçados. Segundo Stálin, os povos de origem alemã deveriam pagar pelos crimes da guerra e trabalhar na reconstrução da União Soviética. Os campos caracterizaram-se por condições desumanas e insalubres, e os ex-internos preferiram esquecer o que aconteceu ali.
Parte dessa minoria alemã, Herta Müller tomou o relato de um amigo, o poeta Oscar Pastior, como base para este romance sobre a dura experiência nos campos. O projeto que deveria ser realizado a quatro mãos foi interrompido com a morte de Pastior, e Müller o assumiu sozinha. O resultado é essa narrativa dolorosa, construída com uma escrita altamente poética, seca e pungente.
Trata-se da história de Leo Auberg, um jovem de dezessete anos, gay, que é internado num campo soviético. Ali ele convive com a fome, trabalhos forçados, doenças, solidão e morte. Cinco anos depois, Leo volta para casa, mas percebe que tal retorno é impossível.

domingo, 15 de dezembro de 2013

Belíssimo Filme "Trem Noturno Para Lisboa"

Existem os filmes em que a história nasce das imagens e aqueles em que tema e relato são tão nobres que elas se tornam ilustrações de algo maior. A este tipo pertence "Trem Noturno para Lisboa".

O filme, dirigido pelo dinamarquês Bille August, carrega o peso das produções europeias de prestígio: é baseado num romance estimado do francês Pascal Mercier, tem no elenco as presenças veneráveis de Jeremy Irons e Charlotte Rampling e narra o episódio histórico da Revolução dos Cravos, em Portugal, em 1974.

Irons interpreta um velho e solitário professor que se encanta por um livro raro. Ao buscar os passos perdidos de seu autor, descobre um mundo marcado por heroísmos e traições, em que a paixão amorosa não se distingue do fervor político.

O ator Jeremy Irons (dir.) em cena do filme 'Trem Noturno para Lisboa

Ao acumular os papéis de leitor apaixonado e de narrador, o professor projeta na tela as experiências de descoberta que potencialmente a literatura oferece.

A matriz literária de "Trem Noturno para Lisboa", no entanto, é o que mais impede o filme de alçar voo. A devoção dos personagens ao livresco atrapalha sua encarnação na forma palpável das imagens e dos diálogos. E tudo fica aprisionado como numa vetusta biblioteca cujos volumes são tão admiráveis que evitamos tocá-los.

O que se vê em cena é fruto mais do trabalho bem cuidado de roteiristas, um material lapidado que nunca deixa de ser somente texto. Mesmo quando o filme busca enfocar o processo histórico do fim da ditadura de Salazar, o efeito é sempre o da leitura aplicada, bem-feita, porém sem brilho e, pior, sem vida. (Crítico da F.S. Paulo - Cássio Sterling Carlos)

Show da cantora Simone Bittencourt de Oliveira - Essa eu não perdi.

Ao lado de cinco instrumentistas, a cantora baiana sobe ao palco para celebrar os quarenta anos de carreira e o lançamento do disco É Melhor Ser. Com direção da atriz Christiane Torloni, a performance lista Mulher o Suficiente e Aquele Plano para Me Esquecer. Dias 8 e 9/11/2013.Teatro do Complexo Cultural Ohtake - São Paulo 
A baiana joga no mercado seu novo disco, “É Melhor Ser” (Biscoito Fino), produzido por Bia Paes Leme e arranjado pelo pianista Leandro Braga, com repertório baseado em canções que têm mulheres como compositoras, a maioria regravações – num universo de 13 faixas, apenas 3 são inéditas. Desta fornada de inéditas, a melhor é a feita em parceria com Zélia Duncan “Só Se For“, elegante bolero calcado em piano e leve percussão. Piano, aliás, que domina a tocada do disco, quase sempre para o bem. A ótima regravação de “Descaminhos” (Joana / Sarah Benchimol), música que projetou nacionalmente a cantora Joana, em 1979, é outro acerto na escolha do repertório. Seguem o mesmo caminho de graça, a americanizada leitura de “Charme do Mundo” (Marina Lima / Antonio Cícero), “Vida de Artista“, canção de Sueli Costa e Abel Silva e a pulsante interpretação de “Mulher o Suficiente” (Alzira Espíndola / Vera Lúcia Motta), verdadeira recriação de um tema do repertório de Tetê Espíndola.
No mais, “É Melhor Ser” soa morno, deixando aquela impressão que conter pouca novidade, em que pese a ótima forma vocal de Simone, que continua cantando lindamente ao completar 40 anos de carreira. Faltou uma dose extra de pimenta no tempero da baiana.

Obs.: Não tem como conter as lágrimas ao ouvir "Cigarra" a cada show dessa intérprete maravilhosa.

 simone_capa





A cantora Simone

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Festejando o lançamento do livro do amigo Deputado Carlos Giannazi

A tarde foi muito festiva na Editora Cortez, no dia 19 de outubro, no lançamento do livro "A doutrina de segurança nacional e o "milagre econômico" (1969\1973)", do grande amigo e companheiro de muitas lutas, Carlos Giannazi. Além de poder conhecer seu pais. Pude encontrar outros colegas, sobretudo o meu querido amigo e escritor Edson Gabriel Garcia.
 
Sinopse: O fenômeno econômico chamado milagre não foi acompanhado de melhorias sociais, sob a forma de salários elevados e de serviços públicos de atendimento ao trabalhador, num nível satisfatório, que permitissem um desafogo para a população brasileira. Essa parcimônia salarial não era gratuita. A chave da cúpula de tal projeto era, exatamente, a rígida compreensão salarial, principal elemento de acumulação capitalista e fator essencial para a efetiva mobilização do empresariado nacional, e principalmente para atração maciça do capital internacional. Tal situação de arrocho somente poderia ocorrer se essa retaguarda, pela severa repressão policial militar. Por isso, o autoritarismo governamental era um elemento indispensável para que se desse o pleno funcionamento do modelo em questão.
capa_giannazi
 
 
 

domingo, 6 de outubro de 2013

Patrícia Melo - Cenas Cotidianas

Patrícia Melo foi considerada pela TIME MAGAZINE um dos 50 líderes latino-americanos do milênio, sua obra foi traduzida para mais dez idiomas. Em 1995, a escritora, dramaturga e roteirista conquistou seu lugar na moderna literatura brasileira com a publicação de O MATADOR,  seu segundo livro e um dos melhores romances publicados no Brasil na década em questão.

Por que Patrícia tem tanto interesse em "literar" temas de violência" Segundo ela, "estruturalmente, tem a ver com a necessidade de entender, resistir ou combater, no âmbito pessoal e coletivo, o que está acontecendo. Estamos tentando compreender essas questões que lidam com a violência, com a morte. Acredito que o  interesse por essa temática é uma tentativa de ter um olhar crítico e de vivenciar de forma visceral a experiência, que é tão comum".

Que livros que indico a ler, além de O Matador:


O Matador 1995    Acqua Tuffana   Elogio da Mentira   Valsa Negra         Jonas, o Cropomantra 2008
                               1994                   1998                         2003

 
                                           Inferno                              
Ladrão de Cadáveres 2010                             Inferno - Ganhador do Prêmio Jabuti - 2003



O escritor Carlos Ruiz Záfon cada vez mais me surpreende "Palácio da Meia-Noite"

"PALÁCIO DA MEIA-NOITE - Carlos Ruiz Zafón

Sinopse: Ben e Sheere são irmãos gêmeos cujos caminhos se separaram logo após o nascimento: ele passou a infância num orfanato, enquanto ela seguiu uma vida errante junto à avó, Aryami Bosé. Os dois se reencontram quando estão prestes a completar 16 anos. Junto com o grupo Chowbar Society, formado por Ben e outros seis órfãos e que se reúnem no Palácio da Meia-Noite, Ben e Sheere embarcam numa arriscada investigação para solucionar o mistério de sua trágica história. Uma idosa lhes fala do passado: um terrível acidente numa estação ferroviária, um pássaro de fogo e a maldição que ameaça destruí-los. Os meninos acabam chegando até as ruínas da velha estação ferroviária de Jheeter’s Gate, onde enfrentam o temível pássaro. Cada um deles será marcado pela maior aventura de sua vida. Publicado originalmente em 1994, O Palácio da Meia-Noite – segundo romance do fenômeno espanhol Carlos Ruiz Zafón – traz uma narrativa repleta de fantasia e mistério sobre coragem e amizade. 

 
O Palácio da Meia-Noite - Trilogia da Névoa - vol. 2 - Carlos Ruiz Zafón

domingo, 25 de agosto de 2013

Livro: "CONTRA UM MUNDO MELHOR. ENSAIOS DO AFETO" - um soco no estômago!!!!!

 

Livro : "CONTRA UM MUNDO MELHOR. ENSAIOS DO AFETO" (Filósofo Luiz Felipe Pondé)

Livro - Contra um Mundo Melhor - Ensaios do Afeto

Crítica:
Livro reúne ensaios em que o autor reflete sobre o mundo e a sociedade atual, herdeira do iluminismo, da revolução sexual, das utopias etc. Um texto ácido, crítico, inteligente, maduro. Uma das mais agudas visões sobre nossa era pós-moderna. O autor, uma das cabeças mais lúcidas da imprensa brasileira de hoje. "Contra um mundo melhor" é contra um mundo hipócrita, que mente sobre si mesmo. Um livro pra gente adulta. Não espere um final feliz ou se você quiser como o próprio autor sugere, desista já após a primeira página do livro.
Pondé faz referências aos autores clássicos como Cioran, Nelson Rodrigues, Albert Camus, Schopenhauer etc.