sexta-feira, 19 de julho de 2013

Filmes: "Terapia de Risco" e "Hannah Arendt" (esse é imperdível!!!!!)

"Hannah Arendt" discute polêmicas da célebre pensadora alemã

Diretora Margarethe Von Trotta compõe admirável perfil de uma personalidade e de uma época, e convida os espectadores a discutir as ideias da filósofa.
 
 
Uma das diretoras mais prestigiadas do Novo Cinema Alemão, pertencente à mesma geração que revelou Wim Wenders e Volker Schlondorff, Margarethe Von Trotta compõe um admirável perfil de uma personalidade e de uma época no drama Hannah Arendt. O filme estreia em São Paulo.

Aliando-se, mais uma vez, a Barbara Sukowa, intérprete habitual de seus filmes, como os premiados "Rosa Luxemburgo" (86) e "Os Anos de Chumbo" (81), a cineasta entrega-se ao desafio de retratar uma das pensadoras políticas mais importantes e influentes do século 20, autora de clássicos como "As Origens do Totalitarismo".

Escapando ao risco de comprometer a narrativa com um excesso de teorias, escolhe como foco um episódio crucial na vida de Hannah. Em 1961, a filósofa alemã, já radicada nos EUA, viaja a Israel para acompanhar um dos julgamentos mais bombásticos de todos os tempos, do carrasco nazista Adolf Eichmann, capturado pelo serviço secreto israelense na Argentina.

Partindo de uma peça da norte-americana Pam Katz, corroteirista do filme ao lado de Von Trotta, a história humaniza por todos sua protagonista, sem banalizar seu pensamento nem sua atividade. Hannah é vista discutindo com seus alunos na universidade, e também com seus amigos intelectuais, em concorridas festas em seu apartamento, em que, ao lado de temas polêmicos, nunca faltavam piadas, nem bebida ou cigarros.

O nazismo está no centro das discussões.

Primeiro, na atuação de Hannah, ao cobrir o julgamento de Eichmann para a revista "The New Yorker", que lhe permitiu criar uma das teses mais polêmicas de toda a sua obra, sobre a "banalidade do mal".

O segundo, menos abordado no filme, lembra seu relacionamento com o mestre e ex-amante Martin Heidegger (Klaus Pohl), filósofo que se filiou ao Partido Nazista em 1933 e nunca se retratou da atitude após o fim da Segunda Guerra - para desgosto de Hannah, que era judia alemã e fugiu do país natal após a ascensão de Hitler ao poder.

Enxergando em Eichmann apenas um burocrata medíocre, cumpridor cego de ordens, recusando-se a ver um monstro de índole diabólica, e não se omitindo em apontar o que considerava como cumplicidade dos chamados Conselhos Judaicos na destruição de sua própria comunidade, Hannah atraiu a fúria dos próprios amigos e dos círculos judaicos. Muitos nunca a perdoaram pela ousadia. Para eles, ela estaria "defendendo" o carrasco, o que sempre negou.

Nada disso abalou a filósofa, que publicou seus artigos na "The New Yorker" - onde também sofreu pressões - e, dois anos depois, um livro que teve grande repercussão, "Eichmann em Jerusalém".

Vendeu na época mais de 100 mil exemplares e, ao longo dos anos, serviu como ferramenta para que jovens alemães contestassem seus pais, por terem conhecimento dos desmandos nazistas e se omitirem, e também em revoltas contra a guerra do Vietnã e o uso da energia atômica.

O filme ressalta a coragem de Hannah que, apoiada por amigos como a escritora Mary McCarthy (Janet McTeer), resistiu, mantendo sua independência de pensamento, ainda que a um alto custo pessoal. Os ataques sofridos, para ela, equivaleram a um "novo exílio", como salientou a diretora Margarethe Von Trotta em entrevista ao jornal "The New York Times".

Procurando não tomar partido da tese defendida por Hannah nos artigos e livro sobre Eichmann, o filme sem dúvida abraça a integridade pessoal e intelectual de sua fascinante protagonista.

E permite aos espectadores participarem de uma envolvente discussão de ideias, apesar de um filme não ser o veículo ideal para esgotar temas tão profundos. Mas, certamente, pode despertar uma saudável curiosidade sobre as obras da autora.
 
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Filme: Terapia de Risco;
 
Terapia de Risco
 
EUA , 2013 - 106 minutos
Suspense Direção:
Steven Soderbergh
Roteiro:
Scott Z. Burns
Elenco:
Jude Law, Rooney Mara, Chaning Tatum, Catherine Zeta-Jones, Polly Draper, Vinessa Shaw
 
 
LUIZ ZANIN ORICCHIO - Agência Estado
O eclético diretor Steven Soderbergh joga, em Terapia de Risco, na forma mista da denúncia e do thriller psicológico. Autor de filmes tão diversos quanto sexo, mentiras e videotape (com o qual ganhou uma Palma de Ouro), a série pipoca Ocean Eleven, e o díptico político Che, Soderbergh amealhou tantos fãs quanto detratores e de vez em quando se diz saturado e que pode abandonar de vez o cinema.
Enquanto não se decide, vale conferir este Terapia de Risco, filme tão irregular quanto atraente. Nele, vemos em primeiro lugar a mocinha Emily Taylor (Rooney Mara) cujo marido, preso em razão de nebulosa maracutaia financeira, é solto depois de algum tempo de prisão.
Inexplicavelmente (mas a mente humana é assim mesmo), Emily vê-se presa de uma insidiosa depressão. Após um acidente suspeito, é levada a tratar-se com o dr. Jonathan Banks (Jude Law). Ele propõe à paciente um antidepressivo ainda em fase experimental. O remédio ajuda, mas também apresenta efeitos colaterais perigosos, conforme avisa o título original.
 
Estamos em pleno filme denúncia sobre os malfeitos da indústria farmacêutica e as promessas de felicidade contidas nas novas drogas? Em termos. Quando os tais efeitos colaterais se revelarem de fato catastróficos, Soderbergh, talvez erradamente, desvia o foco para uma trama rocambolesca na qual o dr. Jonathan passa a ter justificada impressão de que estão tentando lhe passar a perna. São muitas as reviravoltas, inclusive com a presença em cena de uma segunda profissional da saúde mental, a encantadora doutora Victoria Silbert vivida pela não menos estonteante Catherine Zeta-Jones.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Filme comovente "Uma garrafa no mar de gaza"

Diretor: Thierry Binist
Elenco: Agathe Bonitzer, Mahmud Shalaby, Hiam Abass
País de Produção: França/Canadá/Israel (2011)
Divulgação

Tanto Tal (Agathe Bonitzer) quanto Naïm (Mahmud Shalaby) nasceram em um terreno de terra queimada, onde os pais costumam enterrar seus filhos. Entretanto, as vidas deles são bem diferentes. Tal tem 17 anos, é judia e mora em Jerusalém, enquanto que Naim tem 20 anos, é palestino e mora em Gaza. Apenas 60 milhas os separam em relação à distância, mas o histórico de guerra entre os povos é um grande complicador. Só que uma garrafa jogada ao mar pode mudar a situação entre eles, trazendo forças para que suportem esta dura realidade.


"O Príncipe da Névoa" - Carlos Ruiz Zafón

Indico o primeiro livro escrito por Carlos Ruiz Zafón:

"O Príncipe da Névoa" foi o primeiro romance que publicou e marcou o início da dedicação completa do ofício singular de tornar a trajetória de escritor.
Na verdade, quando era Zafón era moleque não costumava ler romances catalogados como 'juvenis'... No caso do "Princípe de Névoa", na falta de outras referências, resolveu escrever um romance que teria gostado de ler quando tinha 13, 14 anos, mas que continuasse a lhe interessar também aos 23, 43 ou 83 anos.

Uma casa na praia abriga um mistério inimaginável...

Em 1943, a família do garoto Max Carver muda para um vilarejo no litoral, por decisão do pai, um relojoeiro e inventor. Porém, a nova casa dos Carver está cercada de mistérios. Atrás da casa, Max descobre um jardim abandonado, que contém uma estranha estátua e símbolos desconhecidos.
Os novos moradores se sentem cada mais ansiosos: a irmã de Max, Alicia, tem sonhos perturbadores, enquanto a outra irmá, Irina, ouve vozes que sussurram para ela de um velho armário. Com a ajuda do novo amigo, Roland, Max também descobre os restos de um barco que afundou há muitos anos, numa terrível tempestade. Todos os bordos morreram, menos um homem - um engenheiro que construiu o farol no fim da praia.
Enquanto os adolescentes exploram o naufrágio, investigam os mistérios e vivem um primeiro amor, um diabólico personagem começa a surgir: o Príncipe a Névoa, capaz de conceder qualquer desejo a uma pessoa - mas cobrando um preço alto de mais....

O Príncipe da Névoa
"Zafón mistura generosamente amores adolescentes, pactos demoníacos, lobos do mar, palhaços assustadores e destroços mal-assombrados." - FINANCIAL TIME
 

domingo, 10 de março de 2013

Zygmunt Bauman - "Danos Colaterais"

"Danos Colaterais" - com a sua genialidade, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman transpõe a ideia de danos colaterais para o plano da sociedade. No mundo líquido-moderno, não interessa se há vítimas das ações políticas e econômicas. As perdas são "naturalizadas". Pior ainda, as próprias vítimas são culpabilizadas por sua exclusão. Essa naturalização é observada sobretudo na indiferença dos políticos em relação aos homens e mulheres sacrificados pelo processo de globalização.
Danos Colaterais são as perdas consideradas acidentais numa ação armada, com a morte e civis, o bombardeio de hospitais e escolas nas mediações do alvo de uma operação militar. Atualmente, ninguém assume a responsabilidade pelos danos colaterais dos atos de guerra.

Recomendo a leitura!!!!!


Zygmunt Bauman debate as desigualdades sociais na modernidade líquida

domingo, 6 de janeiro de 2013

Carlos Ruiz Zafón - Você é levado pelo vento e não tem mais volta por ser fascinante os 2 volumes

Zefón te arrasta numa narrativa de ritmo eletrizante. Vc é capaz de devorar os 2 (dois) volumes em poucos dias.
O 1º Volume "A Sombra do Vento" passa em Barcelona após a Guerra de 1945 - ambientada no regime franquista . Daniel Sempere é levado por seu pai a um misterioso lugar no coração do centro histórico: o Cemitério dos Livros Esquecidos. Lá, o menino encontra A Sobra do Vento, livro maldito que mudará o rumo de sua vida e o arrastará para um labirinto de aventuras repleto de segredos e intrigas enterrados na alma obscura da cidade. A busca por pistas do desaparecido autor do livro  - Julián Curax - que o fascina transformará Daniel em homem ao inicia-lo no mundo do amor, do sexo e da literatura. Na narrativa encontraremos referência aos romances de aventuras de Alexandre Dumas, a novela gótica de Edgar Allan Poe e os folhetins amorosos de Victor Hugo.

O 2º Volume "O Prisioneiro do Céu" é a continuação de A Sombra do Vento. Na Barcelona - 1957, Daniel Sempere e seu amigo Fermín têm um longo desafio para enfrentarem em suas vidas. Logo quando tudo começava a dar certo para eles, um personagem inquietante visita a livraria de Sempere e ameaça revelar um terrível segredo que permanecia enterrado há duas décadas no fundo da memória da cidade. Ao descobrir a verdade, Daniel compreenderá que o destino o arrastará na direção de um confronto inevitável com a maior sombras: aquela que cresce dentro dele.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Lúcia Hiratsuka - escritora e ilustradora

Quem é Lúcia Hiratsuka?

Lúcia Hiratsuka nasceu em Duartina e mora em São Paulo desde os 16 anos. Depois de se formar em Artes Plásticas, pes­quisou sobre os livros ilustrados na Universidade de Educação de Fukuoka no Japão (1988-89). Escreve e ilustra os seus livros, sendo que uma parte do trabalho é voltada para a pesquisa de mitos e lendas do Japão. Muitas dessas histórias ouvia na infância pela voz da avó.

Eu - Jean Carlo tive muita alegria de estar pessoalmente com ela na tarde do dia 14/11/2012, para celebrarmos o III PROJETO "VOCÊ É O AUTOR". Batemos um longo papo e ainda ela fez uma linda ilustração "bambu" usando a técnica sumiê.



Todas as ilustrações de suas obras são utilizadas a técnica SIMIÊ - pintura milenar chinesa.

* A palavra sumie significa “pintura a tinta” em português e consiste numa técnica de pintura em preto-e-branco originada em mosteiros budistas da China durante a dinastia Sung (960-1274). Adotando esses princípios, o sumiê exerce uma dicotomia interessante. Preto-e-branco, concreto e abstrato, água e terra, controle e espontaneidade são manifestações presentes nessa arte, que, a partir do século XV, passou a retratar também pássaros, flores e paisagens.


Divulgação
Autora de Muli (Ed. DCL) e Histórias Tecidas em Seda (Cortez Editora), Lúcia Hiratsuka trabalha e conversa no ritmo da beleza que é seu trabalho: cheio de simplicidade e delicadeza.

A menina que quando criança gostava de ler ou ouvir histórias que me provocavam medo, tristeza, riso, “ou simplesmente despertassem uma curiosidade ou encantamento”, tornou-se uma premiada e renomada escritora e ilustradora de livros infantis. Das artes plásticas ela foi feliz para o fazer histórias, após conhecer a ilustradora Eva Furnari.

Veja o que ela conta mais sobre si mesma e o lançamento de Muli, uma história linda com monstros que não são nada assustadores, mas que nos dão muito o que pensar.


CRESCER: Você teve a ideia de Muli há algum tempo, não foi? Como aconteceu?
Lúcia Hiratsuka: Faz mais de cinco anos, acho que a primeira imagem que me veio foi a de um monstro engolindo uma semente. Uma imagem puxa outra. Então, veio a imagem de uma planta nascendo na barriga do monstrinho. No começo esse personagem era muito tímido, vivia querendo se esconder porque não tinha a barriga peluda como os outros... foi assim o ponto de partida. Depois, o Muli já não era tão tímido tanto quanto eu pensava.

C: Sabemos que a literatura infantil é algo que não precisa ter uma função - muito menos pedagógica. Mas qual foi a intenção que você tinha com o livro, ou o que você achou que iria provocar nos leitores quando viu ele pronto, em suas mãos?

L. H.: Quando a história estava mais ou menos pronta, eu senti que ela podia ser bem lúdica e poética. E a ilustração ia ajudar nisso. E me diverti desenhando o monstrinho bravo, triste, espantado, ele usando chinelo, virando cambalhota, o pai lendo jornal e tomando café, a irmã com fita, o cenário de pedra e areia, as moradias ... Quero que os leitores se divirtam e ficaria mais feliz ainda se conseguir instigar a imaginação das crianças, o que não é difícil, pois elas são muito criativas por natureza. Então, vai um desafio — o que mais esses monstrinhos aprontam no dia a dia?
C.: As crianças precisam falar de seus medos? A literatura é uma maneira?

L. H.: Acredito que, tanto para a criança, quanto para o adulto, falar de medo é uma forma de enfrentá-los. O medo que não tem uma cara é o mais assustador. Por isso o monstro sempre esteve presente desde a narrativa oral, em todas as culturas. Quando eu era criança gostava de ler ou ouvir histórias que me provocavam medo, tristeza, riso, ou simplesmente despertassem uma curiosidade ou encantamento. Acho que o livro pode ser uma maneira de vivenciar essas emoções. No caso do MULI, o livro não é para causar medo, mas é de um monstrinho que tem os seus medos, bem parecido com a gente.

C.:
Qual é o seu processo de trabalho (todos nós, leitores, sempre temos esta curiosidade, não?). Você ilustra e escreve ao mesmo tempo?

L. H.: Houve época em que eu procurava histórias. Quanto mais eu queria uma história extraordinária, parecia que tudo já tinha sido contado. Aos poucos percebi que as histórias estão muito perto da gente. Comecei a encontrá-los dentro de mim, nos meus sentimentos, nos meus encantos, espantos, dúvidas, nas minhas brincadeiras de infância, ou num episódio contado por minha família. Coisas simples, mas que se transformam e viram uma história bacana. Não publico tudo o que escrevo, existem textos que ficam guardados para sempre.
Em geral, eu escrevo primeiro e depois ilustro. E, na hora de ilustrar, o texto vai tomando o formato final. Se consigo mostrar uma cena com o desenho, posso até cortar o texto, ou mudar. Isso é o mais gostoso, ficar jogando com texto e desenho. Mas tenho histórias contadas só com imagens e outros em que o texto é mais independente.

C.: Hoje a oferta de livros infantis é extensa. Qual o maior desafio de criar e assinar um bom livro para crianças?

L. H.: Para o autor, antes de tudo, acho importante estudar muito. Não publicar tudo, selecionar, tentar amadurecer devagar. E encontrar o seu melhor. A nossa vivência é única, como uma impressão digital. Isso não significa contar a sua vida. Pode ser total ficção. Mas ser verdadeiro.

C.: Quem ou que tipo de arte mais inspira você?

L. H.: Nesses últimos tempos, gosto de olhar desenhos em grafite. E eu tenho me inspirado muito no sumiê (uma técnica japonesa), nas pinceladas, na simplicidade e naturalidade.

C.: Você pode contar um pouco sobre sua trajetória? Desde quando publica livros para crianças? Quem nasceu primeiro: a ilustradora ou a escritora?
L. H.: Eu era recém formada em Artes Plásticas quando conheci a Eva Furnari. E descobri que eu poderia juntar o que mais gostava, desenhar e inventar histórias. Era o meu desejo desde criança, vivia rabiscando no chão do quintal ou na tulha onde meu pai espalhava café. Para conseguir o meu primeiro trabalho de ilustração, escrevi e ilustrei uma história, montei um livro e foi aceito por uma editora.


C.: Quando isso aconteceu?

L. H.: Esse livro não está mais em catálogo, mas foi importante para começar, aconteceu mais ou menos em 1984. Depois vieram alguns outros livros, mas continuei estudando — pintura, gravura, desenho, texto. Em 1988 fui para o Japão estudar sobre livros ilustrados no Japão. Fiquei um ano, voltei para o Brasil e lancei vários livros, alguns são recontos de lendas japonesas que eu ouvia da minha avó. Outros são de ficção. Ganhei alguns prêmios importantes e participei de muitas exposições, continuo aprendendo sempre e quero trabalhar com livros sempre.


C.: E para o futuro? Quais são as novidades que você está "aprontando" para a Bienal?

L. H.: Pretendo publicar várias histórias inspiradas na minha infância que passei num sítio, no interior de São Paulo. São histórias que tem como ponto de partida o imaginário da criança, as brincadeiras, as descobertas simples num quintal, no jardim, ou então os primeiros conflitos com a família, com amigos, com bichos... essas coisas que acontecem com todo mundo. Acho que mais dois livros saem para a Bienal.

domingo, 16 de setembro de 2012

Patrícia Melo é a Agatha Christie brasileira

Quem é Patrícia Melo? Por que gosto dessa escritora e seu estilo de escrever?

Patrícia Melo (Assis, 2 de outubro de 1962) é uma escritora brasileira. Escreve principalmente obras policiais, conhecida por seus livros dedicados a analisar a mente de criminosos[1]. É casada com o maestro John Neschling.
Em 2001, ganhou o Prêmio Jabuti de Literatura por seu trabalho em "Inferno". No mesmo ano, havia iniciado no teatro trabalhos com a peça "Duas Mulheres e um Cadáver"[2]. Voltaria ao teatro em 2003, com a peça "A Caixa"[2]
Na televisão, Patrícia acumulou dois trabalhos: a minissérie "Colônia Cecília", que foi ao ar em 1989 na Rede Bandeirantes e "A Banqueira do Povo", produção portuguesa exibida em 1993.
No cinema, ficou conhecida por adaptar o livro Bufo & Spallanzani, de Rubem Fonseca para o cinema. Curiosamente, Rubem Fonseca seria responsável por adaptar seu romance Matador para o cinema em 2003, no filme O Homem do Ano.
Em 2009 a autora levou toda sua obra para a Editora Rocco, onde os sete livros lançados pela Companhia das Letras serão relançados ano a ano[3]. A autora afirma que deixa CIA das Letras sem mágoas.

Livros da escritora:

Ano de LançamentoLivroEditora
1994/2009Acqua ToffanaCompanhia das Letras/Rocco
1995/2008/2009O MatadorCompanhia das Letras/Companhia de Bolso/Rocco
1998/2010Elogio da MentiraCompanhia das Letras/Rocco
2000/2010InfernoCompanhia das Letras/Rocco
2003/2010Valsa NegraCompanhia das Letras/Rocco
2006/2010Mundo PerdidoCompanhia das Letras/Rocco
2008/2009Jonas, o CopromantaCompanhia das Letras/Rocco
2009Aranha Dailili[4]Zit Editora[5]
2009A Viagem de Filomena[6]Zit Editora[7]
2010Ladrão de CadáveresRocco
2011Escrevendo no escuro

 
Patrícia Melo faz parte da lista de escritores contemporâneos que utiliza como

matéria-prima o cotidiano caótico dos grandes centros urbanos. A presente

dissertação busca localizar os romances

Acqua toffana (1994) e O matador (1995)
na história literária, a partir do diálogo que estabelecem com o romance policial, o

romance-reportagem e os escritos de Rubem Fonseca. Também é uma análise

comparativa da formação da visão de mundo das personagens principais dos dois

livros, ressaltando, além da fragmentação, a influência do sistema televisivo. Ainda

comparativamente, o trabalho evidencia como a violência física é utilizada pelas

personagens como produto de consumo, meio de aceitação ou forma de quebrar

padrões sociais de conduta.